

Autoestima, culpa e confusão mental
Conviver com um narcisista pode deixar marcas profundas, mesmo quando não há violência física ou explícita. O abuso emocional, a manipulação e a distorção da realidade são tão sutis que muitas vezes passam despercebidos, mas geram ansiedade, confusão e o enfraquecimento da autoestima.
O que caracteriza um narcisista?
Pessoas com traços de narcisismo patológico, ou Transtorno de Personalidade Narcisista, segundo o DSM-5, possuem uma necessidade constante de admiração, baixa empatia, tendência à manipulação emocional e oscilação entre idealização e desvalorização do parceiro (MSD Manuals, 2024; Figueiredo, 2025). É importante ressaltar que somente profissionais podem dar esse diagnóstico clínico.
Como isso afeta a autoestima?
Comentários depreciativos, críticas constantes, comparações e manipulações emocionais corroem lentamente a autoconfiança do parceiro. A pessoa começa a duvidar de si, se sente insuficiente e vulnerável a sintomas ansiosos (Melero & Cantero, 2020). Situações de gaslighting, onde o narcisista nega fatos óbvios ou distorce conversas, podem minar a percepção da vítima sobre a realidade, aumentando a sensação de inadequação.
A culpa como ferramenta de controle
É comum que a vítima se sinta culpada mesmo sem motivos claros. Narcisistas usam estratégias como o silêncio punitivo, transferem responsabilidade e fazem com que o outro se sinta responsável por tudo que não funciona na relação. Esse ambiente emocional instável favorece o surgimento de sintomas físicos: insônia, taquicardia, tensão muscular, medo de desagradar e monitoramento obsessivo de comportamentos (Konrath, 2025).
Confusão mental e isolamento
O ciclo emocional imprevisível, dividido entre momentos de afeto seguidos de distanciamento ou frieza, cria confusão cognitiva e sensação de estar “pisando em ovos”. Muitas vítimas relatam dificuldade para confiar nos próprios sentimentos, dúvidas sobre a sanidade e medo de agir, especialmente quando o narcisista dificulta o contato com amigos e familiares, isolando a vítima de sua rede de apoio.
Como romper esse ciclo?
A psicoterapia é essencial: permite identificar padrões, resgatar a autoestima e reconectar-se com familiares, amigos e atividades que reforcem a autonomia (Figueiredo, 2025). O tratamento envolve reconstrução da identidade, reconhecimento das dinâmicas abusivas e estabelecimento de novos limites saudáveis.
Conclusão
A ferida invisível deixada por um narcisista raramente aparece nos exames, mas é sentida todos os dias: ansiedade, culpa sem explicação, confusão mental e autoestima frágil. Identificar esses sinais é fundamental para buscar recuperação e a vida pode voltar ao equilíbrio, com clareza e força renovada.
Referências
Figueiredo, V. A. (2025). Os efeitos profundos de conviver com um narcisista. Central Psicologia.
Melero, R., & Cantero, M. J. (2020). Dependência emocional e narcisismo. Periódico JS.
Konrath, K. I. (2025). O trauma oculto do narcisismo e o impacto nas relações. Revista REMECS.
MSD Manuals. (2024). Transtorno de personalidade narcisista..
Palis Junior, F. (2025). Narcisismo perverso na clínica contemporânea. Pepsic.
Atena Editora. (2025). O impacto psicológico do narcisismo nas relações
