

Gaslighting é uma forma de abuso psicológico sutil e devastadora, na qual uma pessoa distorce informações, nega fatos e manipula situações para que você passe a duvidar dos próprios sentimentos, percepções e até da sanidade (Alves, 2019; Machado et al., 2025). O termo, embora recente no vocabulário popular, é debatido na literatura clínica e cinematográfica há décadas (Duignan, 2025).
A palavra "gaslighting" surgiu da peça teatral "Gas Light" (1938) e dos filmes homônimos, nos quais um marido manipula a esposa para fazê-la acreditar que está enlouquecendo (Duignan, 2025).
Como ocorre o gaslighting?
Gaslighting não surge de uma vez: instala-se de modo progressivo. Pequenas críticas, negações ou distorções surgem em situações cotidianas e aumentam, tornando-se desvalorização sistemática de tudo o que a vítima pensa ou sente (Machado et al., 2025). Expressões típicas incluem:
“Você está inventando coisas.”
“Você é sensível demais.”
“Não foi isso que aconteceu, tem certeza?”
Com o tempo, a vítima passa a depender do abusador para saber o que é real, vivendo insegurança e autocrítica (Alves, 2019).
Exemplos do cotidiano
Relacionamento afetivo - O parceiro diz que ligou avisando do atraso, mas você não recebeu ligação; ele insiste tanto que você duvida de si mesma (Moreira & Oliveira, 2023).
Família - Mãe diz: “Você sempre causa confusão”, quando a filha só expressou discordância.
Trabalho - Chefia nega reuniões, muda orientações e “re-escreve” histórias para te descredibilizar.
Amizades - Você critica uma atitude e ouve: “Só você acha isso, ninguém concorda.”
Sinais de que você pode ser vítima de gaslighting
Confusão frequente sobre seus próprios sentimentos e memórias (Machado et al., 2025).
Dificuldade em tomar decisões, sensação de culpa constante (Alves, 2019).
Isolamento social, necessidade de aprovação do próprio agressor (Moreira & Oliveira, 2023).
Consequências emocionais
O gaslighting causa ansiedade, rebaixamento da autoestima e pode facilitar sintomas depressivos. A dependência emocional cresce, tornando difícil sair da relação abusiva (Machado et al., 2025; Alves, 2019).
Como se proteger e buscar ajuda
Confie na sua intuição: Sua percepção é legítima (Alves, 2019).
Registre acontecimentos: Anotar fatos ajuda na clareza (Machado et al., 2025).
Busque apoio: Converse com pessoas de confiança e procure ajuda profissional (Moreira & Oliveira, 2023).
Modelo de autoafirmação: Valide seus sentimentos, mesmo que o outro tente invalidá-los (Duignan, 2025).
Gaslighting não é culpa da vítima!
Qualquer pessoa pode ser vítima de gaslighting, independentemente de gênero, idade ou história pessoal (Machado et al., 2025; Moreira & Oliveira, 2023).
Referências
Alves, J. M. (2019). Gaslighting – Uma forma de violência sutil. DiálogoPsi.
Machado, M. O. S., Nunes da Fonseca, P., Guimarães Tannuss, A. D., Nascimento Dias, D. G., & Soares Pereira, R. (2025). Gaslighting em relacionamentos íntimos: uma revisão de escopo. Ciencias Psicológicas, 19(2), e-4477.
Moreira, J. L. F. M., & Oliveira, P. G. (2023). Gaslighting como violência psicológica: compreendendo o fenômeno sob a ótica da Análise do Comportamento. Revista Perspectivas, 29, 169-183.
Duignan, B. (2025). Gaslighting | Definition, Origins, & Facts. Encyclopedia Britannica.
