Por que pessoas empáticas são o alvo preferido de narcisistas?

RELACIONAMENTOS TÓXICOS

O vínculo entre empatia, autossacrifício e a teoria dos esquemas

A relação entre pessoas empáticas e narcisistas costuma ser intensa e conflituosa. Enquanto o empático oferece compreensão, acolhimento e flexibilidade, o narcisista busca validação, controle e um papel dominante. Mas por que, afinal, indivíduos empáticos, especialmente os que se sacrificam, são frequentemente o alvo preferido? A resposta está tanto em padrões de personalidade quanto em crenças profundas formadas ao longo da vida, conforme aponta a teoria dos esquemas.

Empatia e autossacrifício: terreno fértil para narcisistas

Pessoas empáticas possuem habilidade de se colocar no lugar do outro, sendo sensíveis às necessidades alheias, oferecendo apoio e compreensão mesmo em situações desafiadoras. Quando, além de empatia, existe o autossacrifício, ou seja, abrir mão de si, de desejos e limites próprios em nome dos outros, cria-se um ambiente perfeito para narcisistas exercerem manipulação emocional e abuso psicológico (SuperandoAbuso, 2017).​

Por que os narcisistas preferem esse perfil?

  • O empático tolera cobranças, críticas e manipulações buscando manter a harmonia.

  • Com frequência, assume responsabilidades pelos problemas do outro.

  • Evita conflitos, cede e se adapta, muitas vezes ignorando seus próprios limites.

  • Busca aprovação, tornando-se vulnerável ao ciclo de idealização, desvalorização e descarte do narcisista.​​

Teoria dos esquemas: o pano de fundo psicológico

Segundo Jeffrey Young, criador da Terapia dos Esquemas, nossos padrões emocionais e comportamentais são moldados por experiências precoces e se refletem nas relações adultas. Alguns esquemas tornam empáticos especialmente vulneráveis ao abuso narcisista:

  1. Autossacrifício

  • Sentimento de responsabilidade constante pelo bem-estar dos outros.

  • Dificuldade de priorizar a si mesmo e estabelecer limites.

  1. Subjugação

  • Medo de rejeição e prazer em agradar, levando à supressão de necessidades pessoais.

  • Tendência à passividade e evitação de conflitos.

  1. Busca por aprovação

  • Dependência da validação externa para construção da autoestima.

  • Disposição constante para agradar, mesmo com prejuízo ao próprio bem-estar.

Esses esquemas foram aprendidos, em geral, ainda na infância, em ambientes onde carinho era condicionado à obediência, submissão ou cuidado excessivo com os outros (Young et al., 2003). Na vida adulta, o narcisista percebe e explora esses padrões, promovendo dependência emocional, culpa e autossacrifício sem reciprocidade.​

Dicas práticas para romper o ciclo

  • Identifique seus padrões: Questione se o cuidado e empatia estão te fazendo bem ou apenas facilitando o abuso emocional.

  • Estabeleça limites claros, aprendendo a dizer “não” sem culpa.

  • Valorize sua autoestima e independência. Pratique atividades só suas.

  • Procure apoio psicológico para trabalhar esquemas nocivos e construir relações mais saudáveis.

  • Mantenha uma rede de apoio; o isolamento aumenta a vulnerabilidade.

Toda pessoa empática é alvo de narcisistas?
Não, mas pessoas com esquemas de autossacrifício e busca por aprovação são mais suscetíveis.

O empático pode “curar” um narcisista?
Não. Mudanças só acontecem se o narcisista reconhecer e buscar tratamento.

Como saber se estou em uma relação tóxica?
Se sentir culpa constante, sufocar suas necessidades e viver em função do outro, atente-se. Busque ajuda.

Referências

  • Neuroflux (2025). Psicologia do Espelho Emocional: Por que atraímos narcisistas?​

  • Gomes Cavalcanti, J. et al. (2022). Narcisismo, pró-sociabilidade e agressão: o papel mediador da empatia.​

  • Superando Abuso (2017). Por que o psicopata/narcisista escolheu justamente a mim?.​

  • Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Terapia do Esquema: Guia de Psicoterapia para o tratamento de Transtornos de Personalidade.

  • Outros especialistas: Baskin-Sommers et al., 2014; Heeper et al., 2014; Porcerelli & Sandler, 1995.